Você provavelmente já ouviu falar em dengue, Zika e chikungunya. Mas há outra doença transmitida por mosquito que voltou às notícias em 2026, com casos confirmados em São Paulo (inclusive aqui em Ribeirão Preto) e em outros estados: a febre do Nilo Ocidental.
Preparei este texto para explicar, de forma simples, o que é essa doença, como ela é transmitida e o que fazer para se proteger.
Foto: Hyamli Kashyap / Pexels
O que é a febre do Nilo Ocidental
É uma infecção causada por um vírus da mesma família da dengue, da Zika e da febre amarela. A diferença está no transmissor: em vez do Aedes aegypti, o mosquito da dengue, o vírus é transmitido pelo mosquito Culex, conhecido popularmente como pernilongo ou muriçoca.
O vírus circula naturalmente entre aves silvestres. O mosquito se contamina ao picar uma ave infectada e, depois, pode transmitir o vírus a pessoas e a outros animais.
A doença é grave?
Na maioria das vezes, não. Cerca de 8 em cada 10 pessoas infectadas não apresentam nenhum sintoma. Quando os sintomas aparecem, costumam ser leves e parecidos com os de outras viroses:
- Febre de início repentino
- Dor de cabeça
- Dores no corpo
- Náusea e vômitos
Em uma pequena parcela dos casos, a doença pode evoluir para uma forma mais grave, com comprometimento do sistema nervoso, como meningite ou encefalite, exigindo internação. A relação entre a febre do Nilo Ocidental e as doenças renais ainda é pouco descrita na literatura, mas, por segurança, todo paciente investigado deve realizar exames de urina e de creatinina.
Grupos de maior atenção: pessoas acima de 60 anos e aquelas com o sistema imunológico enfraquecido, como os portadores de doença renal crônica, têm mais chance de desenvolver a forma grave da doença.
E no Brasil, é uma preocupação real?
Sim, e o cenário vem mudando. A febre do Nilo Ocidental já havia sido identificada em diversos estados brasileiros desde 2014, mas 2026 trouxe uma novidade: os primeiros casos humanos confirmados na história do estado de São Paulo, incluindo um caso em nossa cidade, Ribeirão Preto. Casos também foram confirmados em Santa Catarina e no Mato Grosso.
Isso não significa que a doença esteja "chegando agora": é possível que já circulasse por aqui de forma silenciosa, muitas vezes confundida com dengue ou outras arboviroses. O que mudou foi a nossa capacidade de identificá-la corretamente.
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Como se proteger
A prevenção é a mesma que já conhecemos da luta contra a dengue: eliminar os criadouros do mosquito.
- Elimine água parada em vasos de planta, calhas, pneus e recipientes ao ar livre
- Mantenha telas em portas e janelas
- Use repelente, especialmente ao entardecer e ao amanhecer, horários de maior atividade do Culex
- Prefira roupas de manga comprida em áreas com vegetação ou próximas a coleções de água
Quando procurar um médico
Se você teve febre associada a dor de cabeça intensa, confusão mental, rigidez no pescoço ou fraqueza muscular, especialmente após ter sido picado por mosquitos ou frequentar áreas com relatos de aves mortas, procure atendimento médico o quanto antes. Esses sinais merecem avaliação imediata.
Mesmo nos quadros mais leves, vale conversar com seu médico: o diagnóstico correto ajuda a orientar o tratamento e contribui para o mapeamento da doença na nossa região.
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial
Perguntas frequentes
Não. Cerca de 8 em cada 10 pessoas infectadas não apresentam nenhum sintoma, e quando eles aparecem costumam ser leves.
Pessoas acima de 60 anos e pessoas com o sistema imunológico enfraquecido, incluindo portadores de doença renal crônica.
Ele se contamina ao picar aves silvestres infectadas e depois pode transmitir o vírus a pessoas e a outros animais.
Febre associada a dor de cabeça intensa, confusão mental, rigidez no pescoço ou fraqueza muscular, principalmente após exposição a mosquitos.
Eliminando água parada, mantendo telas em portas e janelas, usando repelente e preferindo roupas de manga comprida em áreas de risco.
Não pelo contato direto do dia a dia. A transmissão acontece pela picada do mosquito Culex. Em situações raras, o vírus pode ser transmitido por transfusão de sangue, transplante de órgãos ou da mãe para o bebê durante a gestação ou a amamentação.
Não há vacina aprovada para uso em humanos até o momento. A prevenção depende do controle do mosquito Culex e da proteção individual contra picadas.
Em resumo
A febre do Nilo Ocidental é, na maior parte dos casos, uma doença leve, mas merece atenção, sobretudo em pacientes mais frágeis, como os portadores de doença renal crônica. Conhecer os sintomas, adotar medidas simples de prevenção e buscar orientação médica diante de sinais de alerta são os melhores caminhos para atravessar esta temporada de arboviroses com tranquilidade.
Precisamos nos dedicar mais ao controle dos focos do mosquito. Essa não é uma tarefa só do poder público: cada um de nós também pode fazer a sua parte, cuidando da própria casa e do próprio quintal.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica.
Referências: Ministério da Saúde — Febre do Nilo Ocidental; Centers for Disease Control and Prevention (CDC) — West Nile Virus; Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo — Boletins epidemiológicos de arboviroses.
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